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Breves Apontamentos sobre a Expiação Limitada

Marcelo Lemos

“Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos”João 15.13.
Uma outra forma de falarmos sobre Expiação Limitada é como Expiação Definida. Alguns imaginam que por ‘limitada’ a fé reformada esteja limitando o poder da morte de Cristo, o que não é verdade. O poder da morte de Cristo é completamente ilimitado. O que vem a ser o ‘limitado’ da nossa doutrina? É uma referencia ao alcance dos benefícios da morte de Cristo; por isso, também é correto expressar-se como Expiação Definida. O que se pretende afirmar é que Cristo entregou sua vida por aqueles a quem Deus escolheu, não se tratando apenas de um ‘depósito’ feito em algum lugar, onde fica a espera de quem é capaz de requerer seus direitos.


Com efeito, para a fé reformada o pode da Expiação de Cristo é completamente ILIMITADO. Nada pode se colocar entre os benefícios do sangue e os beneficiários do sangue. Isso não ocorre, por exemplo, com a expiação universal defendida pelos arminianos. Se por um lado eles pregam uma expiação ilimitada quanto ao número de pessoas, por outro pregam uma expiação limitada quanto ao seu poder de salvar, pois, de fato, não salva ninguém, apenas torna a salvação possível, ficando o resultado final nas mãos do pecador.

Uma expiação que não garante a salvação do pecador não é fiel ao conceito bíblico e teológico de expiação. Quando pensamos na morte de Cristo, afirmamos que ele morreu em nosso lugar, e com sua morte pagou a nossa dívida, nos tornando assim justificados perante Deus, o Pai. O pecador tem uma dívida que é impagável. Mas Cristo, por seu amor e misericórdia, quis pagar nosso debito, e nos fazer aceitáveis perante o Senhor. Se for verdade que sua morte beneficiou todos os homens, indistintamente, segue-se que a salvação está garantia a todos os homens, indistintamente.

Se for verdade que sua morte beneficiou todos os homens, e sabemos ser verdade que nem todos os homens se salvarão, segue-se que tal expiação [arminiana] não condiz com o conceito bíblico de morte vicária e substitutiva. Se a morte de Cristo foi vicária, substitutiva e expiatória, todos os beneficiários de sua morte estão eternamente seguros, e livres de toda condenação, haja vista que Deus aceitou completamente o preço que Cristo pagou pelo resgate de cada um deles. Portanto, tendo sido a more de Cristo vicária, substitutiva e expiatória; e sento igualmente verdade que nem todos os homens serão salvos, conclui-se que a morte de Cristo não foi aplicada por ele a todos os homens.

Cristo morreu pelo povo que Deus lhe deu:
“Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste; eram teus, e tu mos deste, e guardaram a tua palavra” – João 17.6.

“Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me destes, porque são teus” – João 17.9.

“Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me destes; porque tu me amaste antes da fundação do mundo” – João 17.24.

“Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma lançarei fora” – João 6.37.

“As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem; e dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu pai” – João 10.27-29.

“Se vós fosseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia” – João 15.19.

“E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se, e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna” – Atos 13.48.

“Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a Igreja, e a si mesmo se entregou por ela” – Efésios 5.25.

“E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” – Mateus 1.21.

“O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniqüidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras” – Tito 2.14.

Outras afirmações das Escrituras nos apontam a mesma verdade, ao nos falar a certeza inabalável dos benefícios da salvação.
“Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre  para interceder por eles” – Hebreus 7.25.

“E por isso é Mediador de um novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna” – Hebreus 9.15.

“Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem é que condena? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está a direita de Deus, e também intercede por nós” – Romanos 8.31-34.

Pelo livro de Hebreus (cap. 8-10), sabemos que o Sacrifício de Cristo era simbolizado nos sacrifícios expiatórios do Antigo Testamento. Há dois fatos que precisamos reconhecer sobre a Expiação. O primeiro fato diz respeito a particularidade da expiação, que nunca era feita em benefício de todos, mas em benefício da nação de Israel, e de indivíduos. Todos os outros povos careciam da mesma expiação, porém, Deus quis dar tal escape apenas aos do povo eleito, deixando os demais morrem em seus delitos e pecados. O segundo fato nos fala a respeito da natureza da expiação. Quando o sacerdote oferecia o holocausto, não acontecia de Deus dar ao ofertante uma oportunidade de perdão dos pecados, uma oportunidade de ser justificado. O que ocorria era uma factual propiciação; ou seja, o sangue era derramado, Deus aceitava aquela oferta, e o pecador estava completamente livre daquele pecado.

Mas havia um problema com a expiação efetuada sob a Antiga Aliança. Como sangue oferecido era de “touros e bodes”, toda vez que o pecador voltasse a pecar, se fazia necessário novo sacrifício. Concluímos, então, que a expiação do Antigo Testamento, apesar de eficaz, era extremamente limitada em seu poder. O mesmo não pode ser afirmado a cerca do Sacrifício realizado por Jesus Cristo. A superioridade do sacrifício feito por Jesus é declarada pela própria Escritura:
“Porque tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam. Doutra maneira, teriam deixado de se oferecer, porque, purificados uma vez os ministrantes, nunca mais teriam consciência de pecado. Nesses sacrifícios, porém, cada ano se faz comemoração dos pecados, porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados”  - Hebreus 10.1-4.

Mas do sacrifício de Cristo declara:
“Por isso, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, Mas corpo me preparaste; holocaustos e oblações pelo pecado não te agradaram. Então disse: Eis aqui venho (No princípio do livro está escrito de mim), Para fazer, ó Deus, a tua vontade. Como acima diz: Sacrifício e oferta, e holocaustos e oblações pelo pecado não quiseste, nem te agradaram (os quais se oferecem segundo a lei). Então disse: Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a tua vontade. Tira o primeiro, para estabelecer o segundo. Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez.  E assim todo o sacerdote aparece cada dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar os pecados; mas este, havendo oferecido para sempre um único sacrifício pelos pecados, está assentado à destra de Deus, daqui em diante esperando até que os seus inimigos sejam postos por escabelo de seus pés. Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados. E também o Espírito Santo no-lo testifica, porque depois de haver dito: Esta é a aliança que farei com eles Depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas leis em seus corações, E as escreverei em seus entendimentos; acrescenta: E jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniqüidades. Ora, onde há remissão destes, não há mais oblação pelo pecado. Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus” – Hebreus 10. 5-19.

Precisamos admitir que o resultado do sacrifício de Cristo não é a abertura de uma possibilidade de salvação oferecida ao homem, mas antes, a salvação propriamente dita. Cristo ofereceu-se a Deus como sacrifício expiatório por alguém, e Deus, por sua vez, aceitou o sacrifício, sendo concretizada a salvação. Afirmar que a morte de Cristo abençoou cada individuo da raça humana, implica afirmar que a morte de Cristo não salvou ninguém, apenas abriu uma porta de escape, na qual entrarão aqueles mais aptos, ou mais próximos dos meios da graça, etc.

Alguns pretendem usar o versículo 26 para negar a eficácia eterna da redenção efetuada por Jesus; alegam estes que a afirmação “se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados” torna o efeito de tal sacrifício algo que relativo. A objeção não procede, pois se vamos interpretar este versículo como uma ameaça contra os cristãos renascidos, então teremos de admitir que ninguém se salvará, uma vez que todos nós pecamos voluntariamente, e isto depois de termos conhecido a verdade do Evangelho. O correto é interpretar estes versículos a luz de Hebreus 6. 4-8; onde nos é dito a respeito dos apostadas, comparados com a terra improdutiva, sobre os quais a chuva vem, mas seu fruto é “espinhos e abrolhos”.

Finalizando, podemos nos alegrar no hino cantado diante do Trono de Deus, na Revelação de S. João:
“E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo, e nação” – Apocalipse 5.9.

Que Jesus comprou? Teria Cristo apenas feito um maravilhoso depósito na conta do pecador, ficando o beneficio da salvação a mercê da boa vontade dos homens, ou teria ele comprado indivíduos de cada tribo, língua e nação?

Afirmar que a redenção ficou a critério da escolha humana, equivale a negar a afirmação literal do próprio texto, onde se diz que por sua morte, mediante seu sangue, ele comprou homens.

Paz e bem.

2 comentários :

  1. Como sou um pentecostal recem conhecedor das doutrinas da graça, procuro meios de semea-la onde congrego e uma das maneiras foi de compor uma letra para que a banda da igreja possa torna-la um louvor. Tomei a liberdade de lhe escrever.



    Justificado pelo Teu sangue

    Se não fosse tua graça Senhor
    O que seria de mim
    Pois estava morto em pecado
    Em um abismo sem fim

    Obrigado Senhor por me escolher
    Por seu Espírito me regenerar
    Pois nada poderia fazer
    Pra da ira de Deus me salvar

    Por teu sangue
    Fui justificado
    Jesus Cristo
    Libertou-me do pecado

    Agora vivo pra te adorar
    E tua ordenança fazer
    Teu evangelho proclamar
    Com espírito e poder

    Pra tua palavra alcançar
    Aqueles que são teus
    E numa graça sem par
    Darmos glórias a Deus

    Por teu sangue
    Fui justificado
    Jesus Cristo
    Libertou-me do pecado

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  2. marcelolemoseditor12 de agosto de 2009 14:26

    Muito bom. A musica é um excelente forma de doutrinar a Igreja. Quando a musica estiver pronta [ritimo, melodia], não deixe de disponibiliza-la para nós, ok?

    Gostei da sua atitude.

    Paz e bem.

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