A Palavra de Deus (Lewis S. Chafer)

A Palavra de Deus

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Tradução Livre para o projeto ‘Olhar Reformado’, por Marcelo Lemos.

Lewis S. Chafer

Capítulo 1 – A Palavra de Deus


Até mesmo um leitor ocasional da Bíblia rapidamente se dará conta que esta lendo um livro fora do comum. Ainda que cubra milhares de anos da História humana e tenha sido escrita por mais de quarenta escritores humanos, a Bíblia não é uma simples coleção de escritos, antes, forma um único Livro que possui uma fascinante continuidade. Chama-se “A Bíblia”, do termo grego biblos, que significa “um livro”. Sua extraordinária característica se deve ao fato de que é, certamente, a Palavra de Deus, ainda que tenha sido escrita por autores humanos.


Dispomos de duas classes de evidências que apontam para a tese de que a Bíblia é a Palavra de Deus:

1) A evidência interna. Os fatos narrados na Bíblia e a própria afirmação da Bíblia a respeito de sua origem divina;

2) A evidencia externa. A natureza dos fatos narrados nas Escrituras, que apontam seu caráter sobrenatural.

A. EVIDÊNCIA INTERNA


Em certas passagens, a Bíblia declara ou afirma por si mesma ser a Palavra de Deus (Dt. 6:6-9, 17-18; Jos. 1:8; 8:32-35; 2 S. 22:31; Sal. 1:2; 12:6; 19:7-11; 93:5; 119:9, 11, 18, 89-93,97-100, 104-105, 130; Pr. 30:5-6; Is. 55:10-11; Jer. 15:16; 23:29; Dn. 10:21; Mt. 5:17-19; 22:29; Mr. 13:31; Lc. 16:17; Jn. 2:22; 5:24; 10:35; Hch. 17:11; Ro. 10:17; 1 Co. 2:13; Col. 3:16; 1 Ts. 2:13; 2 Ti. 2:15; 3:15-17; 1 P.1:23-25; 2 P.3:15-16; Ap. 1:2; 22:18). As Escrituras declaram, de diversas formar, que a Bíblia é a Palavra de Deus e tal afirmação é clara e inteligível a qualquer um. A afirmação constante dos escritores do Antigo e Novo Testamento, e do próprio Jesus, é que a Bíblia é a inspirada Palavra de Deus. Por exemplo, o Salmo 19.7-11 declara que a Bíblia é certamente a Palavra do Senhor, e nomeia seis perfeições, com suas seis correspondentes transformações do caráter humano, que a Palavra realiza. Jesus Cristo declarou que a Lei tem que ser cumprida (Mateus 5.17-18). Em Hebreus 1.1-2, não apenas se afirma que Deus falou no Antigo Testamento aos profetas com a Palavra de Deus, mas que também o fez Seu Filho no Novo. A Bíblia só pode ser rejeitada caso se rejeite suas constantes afirmações de ser a Palavra de Deus.

B. EVIDENCIA EXTERNA


A Bíblia não somente afirma e alega ser a Palavra de Deus, mas também comprova tais afirmações por abundantes evidencias que têm convencido, com muita freqüência, até mesmo os leitores mais céticos.

1. A continuidade da Bíblia. Um dos mais surpreendentes e extraordinários fatos sobre as Escrituras é que, ainda que tenham sido escritas por más de quarenta autores, que viveram num espaço de tempo que abrange mais de 1.600 anos, a Bíblia é, no entanto, um Livro e não uma simples coleção de 66 livros. Seus autores procedem dos mais diversos lugares e contextos de vida; há reis, campesinos, filósofos, homens do Estado, pescadores, médicos, eruditos, poetas e agricultores. Eles viveram em diferentes culturas, em diferentes experiências existenciais, e, freqüentemente, tinham caráter completamente distinto. A Bíblia tem uma continuidade que pode ser observada desde o Gênesis até o Apocalipse.

A continuidade da Bíblia pode ser constatada em sua seqüência histórica, que começa com a criação do mundo atual e vai até a criação de novos céus e terra. O Antigo Testamento revela temas doutrinários como a natureza de Deus, a doutrina do pecado, a doutrina da salvação e o plano e propósito de Deus para o mundo como um todo, para Israel e para a Igreja. A doutrina é apresentada de forma progressiva, desde seus princípios em forma de introdução, até sua mais completa revelação. O tipo está seguido pelo anti-tipo, e a profecia por seu cumprimento. Um dos temas constantes da Bíblia é a antecipação, apresentação, realização e exaltação da pessoa mais perfeita da terra e dos céus, nosso Senhor Jesus Cristo. O relato de tão fascinante Livro, com sua seu seqüência de argumento, exige um milagre muito maior do que a inspiração em si. De acordo com isto, os que crêem nas Escrituras, ainda que reconheçam o fator humano de seus livros, sabem que sua continuidade se deve a inspiração do Espírito Santo.

2. A extensão da revelação bíblica. Em sua manifestação da Verdade, a Bíblia é inextinguível. Assim como um telescópio, ela adentra o universo, desde as infinitas alturas e profundidades do céu, até o tremendo horror do inferno, e capta as obras de Deus, do principio ao fim. Como um microscópio, revela os menores detalhes do plano e do propósito de Deus, e perfeita obra da criação. Ainda que muitos dos livros da Bíblia tenham sido escritos na primitividade do conhecimento humano, numa época onde os autores ignoravam completamente as descobertas modernas, o que escreveram, sem dúvida, jamais foi contraditado pelas descobertas posteriores, e os antigos escritos das Escrituras se revelam surpreendentemente confortáveis com a realidade moderna. No amplo contexto de sua revelação, a verdade bíblica alcança horizontes inalcançáveis, que estão além das descobertas humanas, atingindo, como de fato faz, desde a eternidade passada, até a eternidade futura, revelando fatos que apenas Deus pode conhecer. Não existe outro livro, em todo o mundo, que tenha sequer tentado apresentar a Verdade de modo compreensível como faz a Bíblia.

3. A influência e publicação da Bíblia. Nenhum outro livro jamais foi publicado em tantas línguas e idiomas, para tantos diferentes povos e culturas, como foi a Bíblia. Suas páginas estão entre as primeiras que foram impressas quando se inventou as prensas da imprensa moderna. Milhões de cópias das Escrituras têm sido publicadas em todas as principais línguas do mundo, e não existe uma só língua escrita que não possua, ao menos, uma porção impressa da Bíblia. Ainda que céticos, como o francês Voltaire, um infiel e herético, tenham profetizado inúmeras vezes que a Bíblia cairia jogada no esquecimento em apenas uma geração, e ainda que autores do Século XX também tenham dito que seria um livro do passado, a verdade é que a Bíblia permanece sendo publicada em números crescentes e em quantidade maior de línguas do que antes. Outras religiões têm ultrapassado a Cristandade em número de seguidores, porém, não forma capazes de oferecer nenhuma revelação escrita comparável com as Escrituras. Nestes tempos modernos, a influencia da Bíblia continua seu ritmo incessante de difusão. Para os não salvos, ela é a “espada do Espírito” (Efésios 6.17), e para os salvos, é um poder efetivo, santificante e que limpa de toda mancha (Jo. 17.17; II Cor. 3.17,18; Ef. 5.25,26). A Bíblia continua sendo a única base divina para a lei e a moralidade.

4. O conteúdo da Bíblia. O caráter sobrenatural da Bíblia pode ser apreciado no fato de que ela trata livremente com o desconhecido e incompreensível, e também com o que é conhecido. Descreve a eternidade passada, incluindo a criação que houve antes do homem existir. Nela se revelam a natureza e as obras de Deus. Em suas profecias se manifesta a totalidade do plano divino para o mundo, para Israel e para a Igreja, culminando nesta última, que é eterna. Em cada tema apresentado e descrito, suas declarações são decisivas, concretas e estão além do tempo. Sua natureza compreensível tem tornado seus leitores conhecedores da verdade relacionada ao tempo e também com a eternidade.

5. A Bíblia como literatura. Considerada como trabalho literário, a Bíblia é também algo supremo. Não apenas contém uma história gráfica, como também uma profecia detalhada, a poesia mais bela e o drama, relatos de amor e de guerra, as especulações da filosofia e a forma que se relacionam com a verdade bíblica. A variedade de produção de seus autores é contrastada pela multiplicidade de seus temas. Nenhum outro livro de literatura possui tantos leitores apaixonados, de todas as idades e de todos os níveis de cultura e erudição.

6. Autoridade imparcial da Bíblia. O caráter humano dos autores da Bíblia, não contém parcialidade em favor do homem. A Bíblia registra e revela, sem vacilar, o pecado e a debilidade dos melhores homens e, adverte vividamente aqueles que confiam em sua própria força, de sua condenação final. Mesmo tendo sido escrita por homens, é uma mensagem de Deus para o homem, e não uma mensagem do homem para o homem. Ainda que diversas vezes fale de coisas terrenas e de experiências humanas, também descreve com clareza e autoridade, tanto as coisas do céu quanto da terra, visíveis e invisíveis; revelando fatos sobre Deus, sobre os anjos, sobre os homens, sobre o tempo e sobre a eternidade; sobre a vida e a morte, sobre o pecado e a salvação, sobre o céu e o inferno. Semelhante livro não pode ter sido escrito pelo homem – se tivesse que escolher fazê-lo, e ainda que pudesse fazê-lo, nunca teria desejado fazê-lo! – sem a direção divina. Por tanto, a Bíblia, ainda que escrita por homens, é uma mensagem que procede de Deus, com a certeza, a segurança e a paz que apenas Deus pode proporcionar.

7. O caráter supremo da Bíblia. Além de tudo que falamos anteriormente, a Bíblia é um livro sobrenatural, que revela a pessoa e a glória de Deus, manifesta em Seu Filho. Tal pessoa, Jesus Cristo, jamais poderia ter sido inventado por um mortal, já que suas perfeições jamais poderiam ter sido compreendidas nem pelos homens mais sábios e santos desta terra. O supremo caráter da Bíblia está provado pela revelação que faz do caráter supremo da pessoa de Jesus Cristo.

Como conseqüência da combinação das qualidades sobrenaturais e das procedentes do homem que entram na composição da Bíblia, pode-se observar uma similaridade entre a Bíblia como a Palavra escrita do Senhor Jesus Cristo, com o Verbo Vivente. Ambos são sobrenaturais em sua origem, apresentando uma perfeita e inescrutável união entre o que é divino e o que é humano. Ambos também exercem um poder de transformação sobre aqueles que crêem, e igualmente permitido por Deus, são tidos como maus e rejeitados pelos incrédulos. As perfeições divinas, impolutas e com toda sua grandeza, que não sofre o menor prejuízo, estão presentes em ambos. As revelações que trazem são igualmente tão simples como a capacidade mental de uma criança, e tão complexas quanto os tesouros infinitos da sabedoria e do conhecimento divino, sustentas pelo Deus que as tem revelado.

2 comentários :

  1. Muito Bom!

    Quando tiver um tempinho passa lá em www.leovando.blogspot.com

    Abraços

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  2. marcelolemoseditor8 de agosto de 2009 14:28

    Convite prontamente aceito, irmão Leovando Galvão! "Artigos para quem acredita no poder da palavra de deus" - excelente lema para um ministério! Estou salvando a primeira página do seu blog para le-lo em casa, e poder indicá-lo.

    Paz e bem!

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