Charles Finney e a Justificação

Finney & A Natureza da Justificação

Marcelo Lemos




Você provavelmente já ouviu falar de Charles Finney, e talvez até seja um dos grandes fãs do grande avivalista americano. E, caso não conheça de perto da Teologia do mesmo, é bem possível que não poupe palavras para elogiar o ministério deste homem.


A conversão de Finney e o seu imediato batismo no Espírito Santo, contados em sua biografia, são impressionantes. O amor a Deus, a fome de sua Palavra, a unção para testemunhar e anunciar do Evangelho vieram sobre ele no dia de sua entrega a Jesus. Imediatamente, o advogado perdeu todo o gosto pela sua profissão e tornou-se um dos mais famosos pregadores do Evangelho.

Eis o segredo dos grandes pregadores, nas palavras do próprio Finney: Os meios empregados eram simplesmente pregação, cultos de oração, muita oração em secreto, intensivo evangelismo pessoal e cultos para a instrução dos interessados. Eu tinha o costume de passar muito tempo orando; acho que, às vezes, orava realmente sem cessar. Achei, também, grande proveito em observar freqüentemente dias inteiros de jejum em secreto. Em tais dias, para ficar inteiramente sozinho com Deus, eu entrava na mata, ou me fechava dentro do templo.


Como facilmente se pode notar, Finney tem uma legião de fãs muito grande, e igualmente empolgada. Mas, cabe uma pergunta: qual era a teologia de Finney? Infelizmente, poucas pessoas em nosso tempo, parecem se importarem com esta questão.

Estou de acordo com aqueles que pensam que o conceito de Justificação defendido por Finney, é o maior problema de sua Teologia, e o ponto no qual ele difere da verdadeira fé cristã. O que mais me impressiona é que a linguagem de Finney sobre o assunto é abertamente anti-cristã, e ainda assim, seus leitores simplesmente deixam o assunto de lado!

Para resumirmos a questão, e até para incentivarmos o leitor a pesquisar mais o assunto, Finneu claramente rejeita, e até zomba!, do conceito de “justificação imputada”; chegando a afirmar que ela não passa de ficção;

Eu não posso considerar e tratar esta completa questão da imputação exceto como ficção teológica, alguma coisa relacionada a nossa ficção legal de John Doe e Richard Roe” (Memoirs, 60).

Finney era tão radical em sua Teologia, que chegou a afirmar que a justificação dos crentes “não está fundamentada em Cristo sofrer literalmente a exata punição da lei por eles, e neste senso, literalmente comprar sua justificação e eterna salvação” (Teologia Sistemática).

Como é a justificação para Finney? Se você é um dos fãs da vida e da obra deste homem, não deixe de conhecer este detalhe tão inusitado da Teologia dele. Essencialmente, a justificação segundo Finney, é algo condicionado as boas obras do cristão;

Sempre que peca, ele deve, naquele momento, deixar de ser santo. Isso é evidente. Sempre que peca, deve ser condenado; ele deve incorrer na penalidade da lei de Deus. Caso contrário, deve ser porque a lei de Deus é anulada. Mas se a lei de Deus for anulada, ele não possui regra de dever; por conseguinte, não pode nem ser santo nem pecador. Se disserem que o preceito ainda o obriga, mas que, com respeito ao cristão, a penalidade é para sempre removida ou anulada, replico que anular a penalidade é repelir o preceito; pois um preceito sem penalidade não é lei. É só conselho ou aviso. A justificação, portanto, do cristão não é maior que sua obediência, e ele deve ser condenado quando desobedece; ou o antinomianismo é verdade .
(...)
Mas, de novo, à pergunta: O homem pode ser justificado enquanto o pecado nele permanece? Com certeza não pode, nem por princípios legais, nem por princípios do Evangelho, a menos que a lei seja rejeitada.
Que ele não pode ser justificado pela lei enquanto há nele alguma partícula de pecado é por demais evidente, não havendo necessidade de prova . Mas ele pode ser perdoado e aceito e depois justificado no sentido evangélico, enquanto o pecado, qualquer grau de pecado, nele permanece? Decerto, não.

Há em você, querido leitor, alguma “partícula de pecado” ? O irmão mede o grau de sua justificação pelo grau de sua obediência? Que pena! Então, para Finney, você não pode ser justificado, nem eu. Mas, felizmente, não é isso que as Escrituras nos ensinam.

Segundo as Escrituras, a Justificação implica, antes de qualquer outra coisa, numa simples e direta declaração de que alguém é inocente. “Justo”, portanto, é aquele que tem cumprido os preceitos da Lei de Deus; algo que não se pode declarar de nenhum de nós, pecadores (1 João 1.8).

Assim, como pode haver Justificação? Como é possível que Deus declara o pecador “justo”, sem que precise abrir mão se sua santidade e justiça?

A resposta pode ser encontrada em textos como o de Romanos 5.6-10; onde lemos;

Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos impios. Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer. Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da Ira. Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vinda.

Onde se diz, nas Escrituras, que a justificação do crente está condicionada ao grau de sua obediência a Lei de Deus? Não ensinam as Escrituras justamente aquilo que Finney, e tantos outros, em teologia ou em prática, negam?

Como Deus pode justificar o pecador? Ora, ensina a Palavra de Deus: com base no fato de Cristo ter levado sobre si a condenação que era deles!

Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus Romanos 3.23-25.

Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do SENHOR prosperará na sua mão. Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o Justo, justificará a muitos; porque a iniquidade deles levará sobre si Isaías 53.10,11.

Cristo levou sobre si o pecados daqueles que creem em Seu Nome. E por isso, os crentes são justificados perante Deus. Justificação, segundo católicos romanos, é Deus capacitando o homem a uma vida de santidade e boas obras. Todavia, para nós, que acreditamos na autoridade das Escrituras, a justificação é, antes de tudo, uma declaração forense de inocência, baseada no fato de que Cristo pagou a dívida que existia na 'conta' do pecador.

Pense nisso, e creia no Evangelho de Jesus!

Paz e bem!

13 comentários :

  1. Olá Marcelo. Esclarecedor seu texto, muito bom mesmo!
    Que Deus te abençoe, e, que o Senhor pela sua soberana e livre graça nos ajude em nossa caminhada como cristãos. Paz irmão.

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  2. marcelolemoseditor7 de outubro de 2009 16:21

    Olá, Cleiton; paz e bem!

    Obrigado por sua visita, e apoio. Que Deus o abençoe ricamente, em Jesus!

    Paz e bem!

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  3. Talvez precise ler mais sobre Finney. Só o conheço depois de ter lido um pequeno livrinho sobre ele. Mas se ele defendia isso que o irmão acabou de constatar estava faltando algo nessa teologia. Paz!

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  4. Paz e Graça, meu irmão!

    Obrigada pela contribuição que deste à minha pesquisa. Que Deus continue abençoando o irmão.

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  5. Graça e paz Cleiton.

    Muitas vezes nós, (falo por mim), ouvimos tanto de um pregador e não procuramos conhecer melhor a sua teologia. No caso de Finney, eu sempre ouvi falar bem dele, mas não podia imaginar que ele distorcia a justificação de Deus. Mas esse ensino de Finney não é divulgado, pelo menos eu nunca li nada disso em alguns livros que eu li a respeito dele. Foi muito esclarecedor esse artigo.
    Fique na Paz!
    Pr. Silas

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  6. É verdade. Mesmo aqueles que o tem por heroi, fazem questão de não divulgar o ensino dele sobre estes pontos; exceto alguns grupos americanos que levam sua teologia ao pé da letra. Eu tomaria a liberdade de classificá-los como "pelagianos". De qualquer forma, seu ensino herético pode facilmente ser visto na Teologia Sistemática, de sua autoria, e que foi publicada pela CPAD a alguns anos.

    Pastor Silas, obrigado por sua visita, e participação.

    Paz e bem

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  7. Vinícius Pimentel4 de dezembro de 2009 22:22

    Marcelo,

    Eu costumo ser cauteloso quando leio textos que confrontam os ensinos em geral de um pregador, quando não conheço a totalidade do seu ensino. Muitas vezes, excertos retirados do contexto são utilizados para dizer coisas terríveis! Para ter uma idéia, na internet homens como Paul Washer e A.W. Tozer são chamados de "falsos profetas" com base em declarações tiradas de contexto.

    Por isso, gostaria de saber se você leu mesmo o livro de Teologia Sistemática do Finney. Eu não o conheço. A única coisa que eu sei sobre Finney é que ele é o inventor dos "apelos" que quase todas as igrejas fazem hoje. Só isso.

    Agradeço o esclarecimento.

    Em Cristo,
    Vinícius

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  8. Vinícius, entendo sua preocupação, e compartilho da mesma. Olha, eu tenho a Teologia Sistemática dele e, pelo pouco que entendo de teologia, posso lhe garantir que de "teologia sistemática" tem muito pouco; antes, trata-se simplesmente de um longo tratado filosófico sobre religião, espiritualidade e moral. E o mais incrivel em sua Sistemática, é o fato de ele tentar, nos ultimos capitulos, uma defesa da perseverança dos santos...

    E justamente aqui, ao tratar da perseverança dos santos, ele afirma: "Uma vez que me esfor¬cei para refutar a doutrina da justificação perpétua, condicionada sobre o pri¬meiro ato de fé, é claro que não posso inferir a salvação final dos santos a partir da natureza da justificação".

    Ora, a menos que tais palavras possuam outro significado além daquele que me parece óbvio, então, de fato, fFinney negou, ou deturpou, aquela que é a doutrina fundamental da Teologia Evangélica/Reformada!

    Paz e bem

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  9. Parabéns pelo esclarecimento, pois só conhecemos a teologia de um autor renomado quando pesquisamos a fundo quais são as doutrinas que ele defende,e qual seu posicionamento. Estou iniciando a confecção da monografia e irei trabalhar a doutrina da justificação dentro do pensamento contrastivo entre: Reformados, Católicos e Arminianos. Cito o pensamento de Charley Finney sobre a justificação e percebo o entendimento erroneo e distorçido quanto ao assunto. Aproveito a oportunidade e peço que se o Sr. possuir bibliografia de outros autores arminianos e católicos que falam da justificação, por gentiliza envie para meu email, ficarei grato. Que Deus te abençoe sempre.

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  10. Carlos alberto ferreira de almeida28 de fevereiro de 2010 12:33

    Se finney estava tão errado porque, então teve a aprovação do Espírito Santo, também seu poder atuando e manifestando po onde quer que fosse, como ele era uma pesssoa de oração, com certza Deus o teria repreendido, se asssim fosse necessário; Outra coisa ,quem ganha meio milhão de almas pra Cristo, com certeza tem muito a nos ensinar, nas minha opinião jamais alguém é cheio do Espírito Santo, se estiver em pecado. O próprio finney ,dizia que se ele se dirigisse a alguem e apessoa não fosse tocada, imediatamente ele voltaria,a buscar com medo que aquele poder o tivesse abandonado; o que é isso senão uma dependência total do próprio Cristo????Talvêz ainda não conseguimos ficar de joelhos na presensa de Jesus para compreender-mos algumas verdades bíblicas reveladas a Finney, e também o que Finney significou para Deus como seu instrumento; pra mim Finney era o mais cheio em sua própria epoca!!!!!!!!!!!!

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  11. Carlos alberto ferreira de almeida28 de fevereiro de 2010 12:36

    Desde que me formei em 1987, estudo sobre a vida de Finney e tento imitá-lo, principalmente na cumnhão comm Deus....obrigado

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  12. Olá,boa noite!Bom,já çi algumas coisas que Finney escreveu,e compreendi o que ele queria dizer.AS escrituras dizem"Aquele que perseverar até o fim,será salvo"Então ñ podemos dizer que uma vez salvo,salvo para sempre.Tiago diz,que alguém pode querer mostrar suá fé sem obras,mas diz q alguém pode mostrar sua fé através de suas obras.nas cartas e nos evangelhos é nos mostrado da necessidade de perseverança para sermos salvos,e se alguém acreditar que sem obras é possível ser salvo,essa doutrina provem de Calvin.Jesus cita o exemplo de três homens diz que dois trabalharam e angariaram o dobro do que lhes fora dado,mas diz que o terceiro home que fora confiado um talento,não fez nada,pelo contrario enterrou o talento,e por isso foi considerado mal.Então não é necessário fazer nada p ser salvo?Acredito que o principio da caminhada seja aceitar a Cristo mediante a fé q é um dom de Deus,esse é chamado o novo nascimento,onde o espírito morto de um homem,pela ausência de Deus,é recriado em Cristo!Essa é a porta de entrada,mas o caminho é estreito!Isso foi o que entendi lendo a Bíblia!Obrigado e a paz a todos!

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  13. Mano, se você pegar capítulos isolados você consegue refutar qualquer coisa. A teologia de Finney é algo gradativo. Para chegar nos conceitos-base da reforma ele faz todo um processo. Ele não apenas explica o que os apóstolos falaram mas também explica a razão de eles falarem tal coisa. A teologia dele é algo que merece ser estudado de cabo a rabo, com análises profundas em cada parágrafo, para não tomarmos decisões precipitadas.

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