A Secularização da Igreja

A Secularização da Igreja

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Pr. Marcelo Lemos

Texto originalmente escrito para a revista ‘Examinai’; um projeto da Casa Publicadora Pentecostal.


Quando analisamos as cartas enviadas às Sete Igrejas, logo percebemos uma terrível realidade: Satanás luta com todas as suas forças contra o Povo de Deus!

1)  Na Igreja de Sardes ele tinha conseguido implantar uma “Sinagoga de Satanás”;

2)  Na Igreja de Laodicéia, ele tinha conseguido colocar um tipo de fogo estranho que os deixar mornos, sem calor suficiente e impróprio para o consumo;

3) Na Igreja de Tiatira ele tinha infiltrado, nada menos, do que uma “falsa profetiza”, por nome Jezabel!


Desde sempre o objetivo de Satanás tem sido tornar a Noiva de Cristo semelhante à Igreja de Laodicéia, a fim de que, no último dia, ela venha ser “vomitada” da boca do Senhor! Por isso, cada cristão deve viver em estado de alerta contra todas as investidas do Maligno; mesmo contra aquelas que são extremamente sutis!

Na verdade, uma vez que Satanás sabe que é infrutífero lutar contra a Igreja, ele tem, agora, utilizado outro meio: a amizade! Isso mesmo! Satanás tem oferecido a sua “amizade” a Igreja. E por mais incrível que pareça, não são poucos aqueles que têm retribuído o favor.

Para explicar melhor este assunto devemos falar sobre a Secularização da Igreja.

I – O QUE É SECULARIZAÇÃO?

Quando falamos em “secularismo” ou “secularização”, a primeira palavra que nos vem à mente é “século”. Não há nada de errado com isso. O único problema é imaginarmos “século” apenas como uma referência a um período de “cem anos”; mas na verdade, o termo “século” significa muito mais do que isso!

A palavra “século”, conforme atesta o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, também tem o significado de “mundo” e “vida terrena”.

1.O Uso Bíblico do Termo “Século”. É com o sentido de “mundo” e “vida terrena” que a Bíblia, na maioria dos casos, utiliza o termo século. Veja as seguintes referências: Ec.9:6; Mt.12:32; Mc.10:30; I Co.1:20; II Co.4:4; Gl.1:4; Ef.1:21; 6:12; II Tm.4:10; Tt.2:15 e Hb.6:5 (Almeida Corrigida).

Podemos notar nestes versos que “mundo” ou “século”, refere-se a “vida terrena” em contrates com a “vida eterna”. Tais passagens também nos alertam para o perigo de trocarmos aquilo que é por toda eternidade, por coisas que logo se vão.

Desta forma podemos definir o secularismo como sendo o amor às coisas terrenas em detrimento das coisas espirituais.

2. A Secularização do Mundo. Uma vez entendido que “secularização” tem haver com “vida terrena” podemos tentar definir o que vem a ser a secularização. Mas antes, vamos voltar novamente ao Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa para ver como ele explica o termo secularismo: “exclusão, rejeição ou indiferença à religião e a ponderações teológicas”. Um outro dicionário, o de Webster, assim define o secularismo: “sistema de doutrinas e práticas que rejeitam qualquer forma de fé religiosa e adoração”.

Nós vivemos, portanto, num mundo secularizado; ou seja, um mundo que valoriza apenas o que pertence a “este século”, a “este mundo” e a “vida terrena”.

A ideologia predominante no mundo de hoje se interessa apenas em buscar a satisfação da humanidade e não demonstra a menor preocupação com as realidades da vida eterna. Para o homem pós-moderno, tudo que existe e importa é a vida terrena.

3. A Secularização da Igreja. Na Bíblia a Igreja é vista sempre como estando em constante oposição ao mundo. Neste caso é importante diferenciar as coisas. Quando falamos de “mundo” nos referimos a “este século” (I Cor. 1.20; II Cor. 4.4; Ef. 6.12); ou seja, aos valores morais e espirituais corrompidos da nossa era.

A Igreja de forma alguma se opõe ao mundo físico, na verdade, ela dever ser a primeira a preservá-lo, mesmo sabendo que pouco tempo resta para que ele venha ser substituído por “novos céus e nova terra”. Cuidar da Terra foi um dos primeiros mandamentos que o Senhor deu ao homem no Jardim do Édem.

A Igreja se opõe ao mundo enquanto entendido como “sistema moral e religioso”.

Todavia, alguns estão se demonstrando cansados com tal luta. Eles desejam um oásis em meio ao deserto da tribulação. Não quererem mais lutar, antes, desejam aproveitar tudo o que o mundo oferece. Então a Igreja abre sua porta para os valores do mundo e se torna “secularizada”, “mundana”.

II – CONSEQUENCIAS DA SECULARIZAÇÃO DA IGREJA

A principio, a secularização parece bastante atraente; mas no fim da história, a Igreja sempre vai sair no prejuízo. E não pode ser diferente: a Igreja é exatamente o oposto do que o mundo quer que ela seja; uma vez que ele estenda a sua mão em amizade ao mundo, ela perde a sua identidade e deixa de ser aquilo a que foi vocacionada a ser: Igreja!

Para identificarmos as conseqüências e prejuízos da secularização da Igreja, podemos traçar um breve histórico de como tais males tem afetado a Igreja do Senhor em épocas diversas.

1. A Secularização na Igreja Primitiva. Os cristãos primitivos eram assolados pelas tentações da vida terrena e muitos deles foram enganados. Podemos ver isso nas cartas enviadas as Sete Igrejas. Os crentes da Igreja de Éfeso, por exemplo, se tornaram tão amantes da vida terrena que acharam não mais precisar do Senhor Jesus. Éfeso era uma Igreja materialmente rica e prospera; mas o amor a riqueza a tornou espiritualmente deficiente a ponto de o Senhor tê-los alertado do perigo que se avizinhava. Quase todas as Igrejas da Ásia enfrentaram problemas semelhantes.

2. A Secularização da Igreja no 3° Século. No Terceiro Século, a Igreja vinha, desde muito tempo, resistindo bravamente as perseguições e investidas do Império Romano. Mas tudo aquilo mudaria com a [suposta] conversão do Imperador Constantino. Quando Constantino se converteu, a Igreja, de perseguida passou a ser a religião oficial do Estado e, agora, ser cristão era uma questão de estar na moda. Os crentes passaram a desfrutar de grandes privilégios e benefícios. Em pouco tempo, nos mostra a história, a Igreja mergulhou numa profunda escuridão espiritual que perdurou por toda a Idade Média. Mais tarde, Deus levantaria homens que despertariam a Igreja de seu sono, culminando na Reforma Protestante.

3. A Secularização da Igreja nos Dias Atuais. Nunca foi tão fácil professar a fé cristã como agora, se comprarmos os nossos dias com outros períodos da História da Igreja. Porém, toda esta facilidade não foi capaz de nos tornar cristãos melhores. De fato, a Igreja de nosso tempo está se secularizando tão, ou mais rapidamente, do que todas as que antecederam.

Uma prova disso está na mensagem que pregamos: hoje, anunciamos um evangelho de facilidades e diluímos verdades eternas em chavões que podem ser encontrados nas palavras de qualquer guru de auto-ajuda disponível no mercado. Hoje, apresentamos aos homens um Deus que tudo faz e nada pede; um Deus submisso e refém do homem soberano, que cansado de pedir, agora pede, exige e determina. Acreditamos em um Salvador, mas damos as costas a um Senhor; desejamos uma salvação, mas relutamos a deixar vida que conduz a ruína – queremos ser salvos; mas queremos permissão para ficar no poço!

Por isso, a Igreja é hoje vista como uma empresa e deve se adequar ao gosto da clientela. Tal atitude só pode nos conduzir a um secularismo cada vez mais evidente, uma vez que a “clientela” é formada de homens inteiramente submissos ao pecado.

III – COMO NOS DEFENDER DA SECULARIZAÇÃO?

Jesus não abandonou as Igrejas da Ásia a sua própria sorte. Nada disso! Ele se fez presente orientando-as a voltarem ao caminho certo. Devemos tomar cuidado ao falar da Igreja de Cristo. Ainda que ela falhe e peque, continua sendo a Noiva do Cordeiro, comprada com Seu precioso sangue. Não é a vontade do Senhor rejeitar sua Igreja, o seu desejo é vê-la restaurada completamente!

Para isso ele tem capacidade seu povo a resistir neste tempo do fim.

1. A Palavra de Deus. Nada mais eficaz contra o engano do que a verdade sendo anunciada “em tempo e fora de tempo” (II Timóteo 4.2). Nas Escrituras Sagradas encontramos qual é a perfeita vontade do Senhor para as nossas vidas. Toda vez que a Igreja despreza ou se descuida da Palavra ela é fatalmente envolvida pela apostasia espiritual.

2. O Espírito Santo. Pertence a Ele o “convencer do pecado, da justiça e do juízo” (João 16.8). Uma Igreja cheia do Espírito é uma Igreja protegida contra o erro. Não que o Espírito seja um amuleto protetor; mas sim, que devemos estar sempre atentos a Sua Voz e Direção, através das Escrituras, para que possamos identificar e resistir as investidas de Satanás.

CONCLUSÃO: Satanás tentou seduzir as Sete Igrejas e está tentando seduzir a nossa hoje. Mas, o Senhor Jesus Cristo diz que as suas ovelhas “ouvem a sua voz”. Estamos prontos para ouvir a voz de Cristo hoje? Estamos dispostos a rejeitar as ofertas da “vida terrena” na esperança de alcançarmos “bens maiores” no porvir? Esta é a questão a ser respondida por cada um de nós; afinal, não podemos servir a dois Senhores!

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3 comentários :

  1. Muito esclarecedor, leva-nos a uma reflexão do que estamos fazendo com nossa vida cristã. Que o Senhor tenha misericordia de nós e que realmente tenhamos condições de ouvir sua voz. Estamos mesmo no tempo do fim!

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  2. marcelolemoseditor29 de junho de 2009 12:00

    Irmã Sueli, grato pela participação. Realmente trata-se de uma reflexão importante e urgente. O texto que publiquei fez parte da revista Examinai, usada no Estado de Minas Gerais, em escolas dominicais. Um abraço.

    Graça e Paz!

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  3. Reverendo,

    Muito bom o estudo, no próximo domingo estarei ministrando sobre o assunto na ED e seu estudo me esclareceu várias coisas. Que possamos estar fazendo como apóstolo Paulo nos ensinou - "E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." (Rm. 12-2).

    Que Deus o abençoe.

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